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Uma peruana casada com um paulistano e o amor pelo Brasil

Entrevistamos a Marisabel Woodman talentosa Chef peruana (Piura), conhecida pelo seu Vistoso Food Truck “La Peruana”.

Entrevistamos a Marisabel Woodman talentosa Chef peruana (Piura), conhecida pelo seu Vistoso Food Truck  “La Peruana”.

Há quanto tempo existe e como está indo com o seu food truck?

Estou fazendo um ano neste fim de julho, estou indo muito bem. Na verdade fiquei bastante surpresa, pois cheguei num bom momento para o Food Truck. O ano passado foi o momento certo, as pessoas que estão abrindo agora não tem tantas facilidades como tivemos no ano passado, pois tínhamos muitos eventos para participar como o de Iguatemi por exemplo, todos queriam ter um Food Truck na porta da sua loja ou fazíamos eventos de Food Trucks. Hoje essa febre já está passando porque era uma moda e agora os que querem conseguir sucesso no mercado tem que mostrar “super produtos”, pois está bem difícil conseguir uma posição. O trabalho é duro, é como ficar de mudança sempre, temos que carregar e descarregar e é toda uma organização com os funcionários. A produção do truck é feita toda na minha casa, fiz uma reforma e montei uma cozinha de restaurante onde fazemos todo o trabalho.

Você acredita que a gastronomia peruana alcançou o nível que deveria ter no Brasil? 

E acho que a gastronomia peruana no Brasil tem muito para crescer, ainda tem poucos restaurantes, pouca variedade e pouca oferta. Acredito também que existe um campo enorme e podemos chegar a concorrer com facilidade com a comida japonesa ou italiana que tem muitos anos aqui. O Brasileiro e especialmente o paulistano é muito aberto a outras culturas e a provar e conhecer coisas novas e diferentes e é isso que mais gosto de morar aqui. Mas existe também uma dificuldade real, que é a disponibilidade de alguns ingredientes. Às vezes são muito caros e ainda mais, muitos deles não tem o ano todo o qual dificulta muito o nosso trabalho.

Eu estive no Chile faz uns 3 ou 4 anos e lá é outra historia, lá você encontra um restaurante peruano em cada esquina. Eu trouxe uma mala cheia de ingredientes peruanos e o preço é a quarta parte do valor no Brasil, pois existem supermercados onde só vendem coisas peruanas. Eu acho que o Brasil poderia chegar a ter algo parecido. Com isso podemos melhorar muito.

Como nasceu o Food Truck? O normal não seria que um chef comece com a ideia de abrir um restaurante e não um Food Truck?

Na verdade é que a ideia inicial era essa, abrir um restaurante, mas depois que acabei a faculdade em Lima, eu casei e fui com o meu marido para Singapura e França; em Singapura fiz uns cursos de gastronomia e na França fiz um curso de gastronomia completo, trabalhei lá e como já sabia que a longo prazo viria para morar aqui porque meu marido é daqui e sua família tem uma empresa onde precisam dele, a minha ideia era fazer comida peruana em São Paulo.

Quando cheguei a primeira coisa procurei aprender foi  reconhecer o paladar brasileiro, por isso trabalhei num restaurante brasileiro para conhecer os seus gostos e depois comecei a participar em feiras gastronômicas porque tinha um pouco de medo de abrir um restaurante.

Pensei em abrir um Food Truck porque  na época em que morei na França conheci uma amiga que tinha um truck e na França estava na moda e os que tinham um estavam indo muito bem. Aqui vi feiras gastronômicas e comecei a gostar da ideia de ter contato direto com as pessoas, pois numa cozinha a gente fica um pouco isolado e sem ver o sol, aqui conversas, escutas, falam se gostaram, se já tinham experimentado e me dei com a grande surpresa de que a maioria das pessoas não sabiam nem o que era um ceviche. Eu ficava assustada no inicio mas agora já conhecem mais e sempre voltam para comer seus ceviches.

Quais são os pratos estrela no Food Truck?

O Ceviche é o 70% das nossas vendas, mas os pratos quentes são sempre campeões de vendas, especialmente o “lomo saltado”, os brasileiros adoram o lomo saltado. Também faço”arroz con mariscos” que saem muito bem mas levo mais para eventos. O “tacu tacu a lo pobre” é um prato que poderia ser bem brasileiro por ser preparado com arroz e feijão, com caldo “antocuchero”, ovo frito e banana da terra e a sensação do momento é o "ají de gallina”.

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