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DEZ ANOS DIVULGANDO A GASTRONOMIA PERUANA NO BRASIL

O reconhecido restaurante Rinconcito Peruano está celebrando mais um aniversário. Entrevistamos seu chef e dono Edgar Villar.

O reconhecido restaurante Rinconcito Peruano está celebrando mais um aniversário. Entrevistamos seu chef e dono Edgar Villar.

Paila: Edgar, como foram os primeiros anos?

Edgar: No inicio não foi fácil divulgar a gastronomia peruana em São Paulo porque na época poucas pessoas a conheciam e não existiam restaurantes peruanos. Começamos num espaço bastante pequeno. Éramos  todos peruanos, os brasileiros foram surgindo aos poucos. Os peruanos traziam brasileiros um por um, não tínhamos placas na rua e éramos como dizem no Peru um “huarique” (espécie de boteco), uma casa que por muito tempo trabalhou de portas fechadas e hoje já quebramos o esquema pois depois de trabalhar por dez anos cerca de 95% dos nossos clientes são brasileiros.

Paila: Quando você acha que começou o “boom” da comida peruana?

Edgar: Quando entram os blogueiros, as pessoas que vinham traziam um brasileiro, por exemplo, e na seguinte semana vinha um brasileiro trazendo dez convidados. Assim foi expandindo a casa e aos pouco a comida peruana foi ficando conhecida, depois, graças a Deus, chegaram as revistas e jornais e fizemos muitas matérias e eventos gastronômicos. O boca a boca foi muito importante no inicio e depois como podem ter observado ganhamos prêmios e participamos muito das feiras gastronômicas e para fazer publicidade eu entregava folhetos e papéis indicando que aqui era um restaurante.

Paila: Qual é o prato mais pedido no Rinconcito Peruano?

Edgar: O ceviche. Temos ceviche de peixe, ceviche misto, mas também vendemos muito o “arroz con mariscos” e “lomo saltado”. No inicio as pessoas vinham com um pouco de receio porque o local era pequeno e sem placas, a infraestrutura era bastante precária, pois lembrem que eu não cheguei aqui como um empresário a investir, foi uma oportunidade da vida, comecei vendendo comida na rua. Hoje somos uma corporação.

Edgar Villar chef do Restaurante Riconcito

Paila: Há planos de abrir um novo restaurante?

Edgar: Estamos trabalhando nisso, a gente quer estar mais perto dos nossos clientes e em Julho estamos abrindo mais três restaurantes, um no Tatuapé, outro no Largo do Arouche e mais um na região do centro de São Paulo.

Paila: Como você vê a gastronomia peruana no Brasil?

Edgar: Como os jornalistas dizem a gastronomia peruana esta na moda no mundo inteiro e já está entrando com força no Brasil, não só em São Paulo. Acredito que em alguns anos será mais conhecida que a comida japonesa, comida italiana ou francesa.

Paila: Você têm problemas para conseguir produtos peruanos?

Edgar: Olha, antigamente era muito mais difícil, hoje tem pimentas que vem em conservas de uma empresa importadora ABN que fornece diretamente do Peru. Também há muitos agricultores que estão plantando o “ají amarillo” e “rocoto” no solo brasileiro e é algo que facilita mas mesmo assim ainda falta. Seria incrível se o governo peruano apoiasse e os produtos chegassem com mais facilidade. Poderíamos mostrar ao público brasileiro o 100% do sabor da gastronomia peruana porque aqui e agora precisamos fazer mágica para que a comida tenha o mesmo sabor do Peru.

Paila: Está chegando o Empório peruano onde os mesmos agricultores estão importando seus próprios produtos diretamente do Peru graças ao apoio do Escritório Comercial. O que você acha?

Edgar: Quando os produtos chegarem aqui será incrível, teremos material para trabalhar e abrir Rinconcitos em muitos lugares! O que eu não entendo é porque muitos produtos peruanos chegam aqui como se fossem chilenos, as azeitonas peruanas são vendidas como chilenas, os aspargos igual, a quinoa chega como boliviana. Temos que trabalhar um pouco mais na promoção dos nossos produtos no Brasil.

Paila: Qual sua opinião sobre os eventos culinários como Expoceviche?

Edgar: Feliz por ter participado, não só por ter ganhado o prêmio de melhor ceviche na Expoceviche também fomos premiados como o melhor ceviche de São Paulo pelo “Paladar”. Isto foi possível depois de muito trabalho, acordar muito cedo e dormir muito tarde, não é fácil, mas fazemos tudo com muito prazer para deixar o nome do nosso Peru em destaque.

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